Redes brasileiras buscam se adequar a pagamentos via mobile

mobileNo mundo, pagamentos via mobile devem movimentar US$ 1 trilhão em 2019

Depois de alterar a maneira como as pessoas navegam na internet, trabalham e até como se relacionam, os smartphones ganham outra importância. Para vários setores da economia, incluindo a indústria de viagens, os celulares são ferramentas para fazer pagamentos. Segundo dados da consultoria Allied Market Research, o mercado de pagamentos por dispositivos móveis pelo mundo vai atingir US$ 4,5 trilhões até 2023. E esse modelo de consumo já começa a afetar hotéis, o que gera movimentação por parte das redes brasileiras.

Ainda segundo os dados da consultoria, a previsão é que, só neste ano, esse mercado movimente US$ 1,08 trilhão globalmente. De acordo com analistas da Allied Market Research, a modalidade de pagamento surfa na onda da expansão de empresas como Amazon e aplicativos de comida, como Rappi e iFood, entre outros players.

Atualmente, de acordo com o estudo, pelo menos 16% dos usuários dizem utilizar carteiras digitais. Em países como China e Índia, esse percentual chega a 36%. A Allied Market Research não levantou números específicos do Brasil, mas outro estudo mostra o tamanho do potencial desse mercado. Segundo a Visa, o número de transações por aproximação utilizando smartphones cresceu mais de 1000% no país em 2018, quando comparado com 2017.

Pagamentos via mobile: como os hotéis estão reagindo

Algumas redes hoteleiras estão antenadas às mudanças de hábito do consumidor brasileiro. É o caso da ICH Administração de Hotéis, que já está desenvolvendo um aplicativo próprio. O app, entre outras funcionalidades, disponibilizará uma carteira digital.

“A hotelaria como um todo está atrasada nesse quesito de pagamento via celular, mas não pode mais ser assim. Isso é o futuro! A China, por exemplo, quase não usa mais papel moeda”, destaca Marcelo Marinho, diretor executivo de Vendas e Marketing da ICH. “Nas nossas unidades já temos demanda para disponibilizar pagamentos por aproximação e, por isso, estamos investindo nisso”, completa.

O aplicativo, que tem previsão de lançamento para o início de 2020, terá outras funcionalidades que vão além da carteira digital. Segundo Marinho, o hóspede poderá requerer diversos serviços que antes necessitavam o deslocamento até a recepção. Realizar o check-in e o check-out; fazer reservas em qualquer unidade; checar a agenda do hotel em que está hospedado; solicitar serviço de quarto e gerenciar a inscrição no programa de fidelização estão entre as opções.

Essa mentalidade mobile first  da ICH gera resultados. De acordo com Marinho, 54% das reservas das unidades da Intercity Hotéis são realizadas por meio de celulares ou tablets.

marcelo marinho mobile especialIntercity planeja app compatível com carteira digital para 2020

Já a Slaviero Hotéis mantém a possibilidade de investimento no segmento no futuro, informa Guilherme Mendes, gerente de Marketing da empresa. Ainda assim, segundo o executivo, 44% dos acessos no site da rede foram realizados por dispositivos móveis em 2018.

Em relação às reservas, ele acrescenta que os celulares foram o meio utilizado para a venda de cerca de 7,5 mil noites no ano passado. O montante significa algo em torno de R$ 6 milhões em faturamento. “Considerando esses acessos, quase metade da receita de 2018 foi gerada por dispositivos móveis”, afirma Mendes.

Apesar de ainda não estarem desenvolvendo uma carteira digital, a Slaviero já aderiu ao mobile first. “Lançamos um site novo priorizando a navegação no celular e, no geral, essa é uma estratégia muito forte nossa. Nossas campanhas sempre são pensadas, em termos de visualização e layouts, primeiramente para celulares e depois nos desktops. Algumas campanhas são até exclusivas para usuários que acessam nosso portal por smartphone”, diz.

guilherme mender mobile pagamentoReservas por celulares foram responsáveis por metade da receita da Slaviero

Já os planos da Nobile Hotéis são de mais longo prazo. A rede, que acaba de anunciar sua primeira unidade no Chile, não aceita pagamentos pela internet, seja por celular ou desktop. “Por motivos de segurança não trabalhamos com nenhum getaway de pagamento. Pedimos um número de cartão de crédito para garantir a reserva, mas o pagamento acontece apenas na hora do check-in”, disse Neila Araújo, diretora de Distribuição & Implantações Comerciais do Grupo Nobile.

A rede, porém, está trabalhando em um novo site, que será muito mais mobile friendly. “Em torno de 30% das nossas reservas são feitas por dispositivos móveis, é um público importante para nós”, concluiu.

(*) Crédito da capa: Robin Worral/ Unsplash

(**) Crédito da foto: Divulgação/ Intercity Hotéis

(**) Crédito da foto: Guilherme Mendes/ Arquivo pessoal

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