10 mitos e verdades sobre higienização contra Covid-19

Matéria atualizada em 3 de agosto às 9h45*

higienização - ricardo mirandaRicardo Miranda, consultor da área de higienização profissiona

Nos últimos meses, novos protocolos de higienização e segurança estavam no top 10 dos assuntos mais comentados na hotelaria e, inclusive, foi tema de live promovida pelo Hotelier News. Com tantas novidades e mudanças, redes e entidades, como a ABG (Associação Brasileira de Governantas) e FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), desenvolveram seus próprios manuais de boas práticas para a retomada.

Apesar da grande preocupação com a saúde de hóspedes e colaboradores, o setor viveu uma enxurrada de (des)informações que, muitas vezes, acabaram causando dúvidas e divergências. Para esclarecer o que é mito e o que é verdade dentro dos protocolos, o Hotelier News conversou com dois consultores da área de higiene e um engenheiro químico da LogPax, empresa que desenvolve soluções em biossegurança contra o Covid-19, entre outros vírus e bactérias.

“Em março, houve o decreto para fechar os destinos turísticos e, nesse momento, pensamos em acoplar protocolos de higienização de acordo com as recomedações da OMS (Organização Mundial de Saúde) buscando proporcionar ambientes mais seguros. Reunimos engenheiros químicos e de biossegurança para desenvolver o projeto com soluções específicas para as áreas de transporte, hotelaria e turismo”, explica Marcelo Martins, sócio da LogPax.

Segundo Daniel Coelho, engenheiro químico da empresa, a iniciativa surgiu da necessidade de oferecer soluções rápidas ao setor para o retorno das atividades. “Dentro desse cenário, auxiliei na parte técnica e elaboração das medidas de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o chamado novo normal. Também nos baseamos do que vem sendo feito na Europa em termos de biossegurança para elaborar o plano de ação. Hoje, o principal problema é a desinformação, o que gera dificuldade para empresas se adaptarem”, complementa.

Para completar o time de especialistas, o Hotelier News conversou Marcelo Boeger e Ricardo Miranda, consultores área de higienização profissional, que auxiliaram na criação dessa lista de mitos e verdades.

higienização -daniel coelhoDaniel Coelho, engenheiro químico da LogPax

Higienização: mitos e verdades

Abaixo, conferi 10 questões relacionadas à higienização e limpeza contra a Covid-19 elaboradas pelos especialistas:

Escolha do álcool 

Mito – Qualquer álcool em que a embalagem mostre ser 70% é o ideal.

Verdade – O álcool com efeito sanitizante é o 70% INPM, informação que deve constar na embalagem desta forma. Algumas marcas têm comercializado o álcool 70% GL, uma medida diferente e que está fora da faixa de concentração recomendada pela Anvisa.

Higiene do chão

Mito – Priorizar o uso de água sanitária.

Verdade – Uso de água sanitária é eficiente desde que o produto possa secar naturalmente, enquanto o composto faz efeito. Para limpezas de áreas que necessitem circulação imediata, o recomendado são produtos com efeitos imediatos, como o álcool 70°.

Higiene das roupas de cama e vestuário

Mito – Usar água quente para lavar as roupas.

Verdade – A composição química dos sabões e os vários ciclos de água são suficientes para a limpeza adequada. Não há indicações que a água quente melhore o resultado de desinfecção. Normalmente, este processo é usado para retirar manchas ou gorduras.

Higiene dos calçados 

Mito – O uso de álcool em gel vaporizado elimina a Covid-19.

Verdade – O grande vilão é o solado. A limpeza da parte superior pode ser feita com um pano úmido e produtos que não ataquem o tecido. Temos que analisar caso a caso. Em geral, a higiene de evitá-los dentro de casa já é o suficiente. Além do mais, acaba sendo um gasto excessivo.

Higienização de itens pessoais

Mito – Usar álcool em gel na carteira, bolsa, celular e chaves.

Verdade – Os itens que costumamos levar sempre que saímos de casa também devem ser higienizados quando retornamos. O álcool em gel ou líquido 70% pode ser usado para sanitizar estes objetos, porém são necessários cuidados especiais. O álcool em gel deixa um resíduo que atrapalha o uso da tela touchscreen do celular, portanto, passar um pano ou guardanapo macio remove este resíduo. Também quanto ao celular e chaves com componentes eletrônicos internos, deve-se tomar cuidado para não deixar o líquido entrar. O certo seria o uso de álcool isopropílico 70%, também sanitizante e que não agride os eletrônicos. Como este é mais difícil de ser encontrado, o uso do álcool 70% comum é o mais indicado.

Higiene das compras 

Mito – Usar água sanitária para limpar embalagens ou deixá-las de molho antes de usar.

Verdade – A manipulação de água sanitária (ou outro composto com cloro ativo) pode causar incômodo nas peles, olhos e respiração. O álcool em gel seria o mais adequado por não causar esses problemas. Bem manipulado, o álcool líquido 70° também pode ser usado. O que puder ser lavado com água e detergente não precisará de outro produto. 

Higienização das bagagens

Mito - Utilizar ozônio para limpeza de bagagens.

Verdade - Fazer a higienização em local isolado, de preferência do lado de fora do empreendimento. Para limpeza, usar peróxido de hidrogênio.

Piscinas

Mito - É preciso esvaziar as piscinas para fazer a higienização e evitar o contágio.

Verdade - O coronavírus não é transmitido pela água. Logo, nessas áreas é preciso estar atento ao distanciamento social de, no mínimo, 1,5 metro entre as pessoas.

Quarentena do quarto

Mito - O quarto, após higienizado, deve permanecer em isolamento por no mínimo 24h.

Verdade - Após feita a higienização com os produtos adequados pela equipe de governança utilizando EPIs adequados e seguindo os protocolos recomendados, o próprio intervalo entre o check-out e check-in (12h às 14h) é o suficiente para receber um novo hóspede. 

Transmissão pelo ar

Mito - Nas últimas semanas, a OMS alertou para uma possível contaminação pelo ar. De acordo com Boeger, essa informação ainda não foi comprovada e vem sendo estudada por especialistas. Entretanto, autoridades de saúde não incluíram a forma de contágio em seus protocolos, o que pode vir a ser alterado.

Verdade - A infeção pode acontecer de forma direta (por espirro ou saliva) ou indireta (pelo contato das mãos em superfícies contaminadas).

(*) Crédito da foto: kellysikkema/Unsplash

(**) Crédito das fotos: Divulgação

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